Review Remothered: Tormented Fathers

Em Geral

Em um mercado já saturado por jogos em primeira pessoa, Remothered: Tormented Fathers aparece como uma tentativa ambiciosa de reviver as origens do terror no PC – mais tarde o título virá para PS4 e Xbox One. Inspirado por séries consagradas, como Clock Tower e Silent Hill, o game desenvolvido pela Darril Arts e Stormind Games é apenas a primeira parte de uma trilogia que vem para quebrar as novas tendências criadas por Amnesia e Outlast. Entretanto, será que o título é capaz de mesclar o moderno e o tradicional sem tornar-se ultrapassado? Confira o em nossa análise.

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Voltando as origens do terror

Remothered: Tormented Fathers é o primeiro capítulo de uma trilogia jogada em terceira pessoa. Muitos podem pensar que uma diferença de perspectiva é um detalhe insignificante, afinal, a visão em primeira pessoa tem sido vendida como sinônimo de imersão. Há quem discorde, especialmente os fãs dos clássicos dos anos 90, que viram as câmeras de ângulo fixo e referências como um motivo para criar grandes expectativas em cima dessa nova série.

Além de ser um tributo para filmes e jogos do gênero – como Silêncio dos Inocentes e Haunting Ground – o criador da série, Chris Darril, participou do projeto do sucessor de Clock Tower, NightCry, e também lançou Forgotten Memories para celulares, que tem a mesma pegada de Silent Hill. Ou seja, a promessa é grande – e, talvez grande demais para ser cumprida.

O game passou por um período de acesso antecipado no Steam antes do lançamento oficial para PC. O resultado é uma história de suspense com uma pitada de investigação, personagens marcantes, inimigos realmente inteligentes e aquele ar de “filme B”. 

Remothered: Tormented Fathers não esconde sua inspiração em séries e filmes consagrados (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)

Aprisionada

A história de Remothered: Tormented Fathers é centrada em Rosemary Reed, uma mulher em seus 35 anos que visita a casa de um homem chamado Dr. Felton, afetado por uma doença de origem misteriosa. O objetivo de Rosemary é investigar o desaparecimento de Celeste, a filha do velho homem, que desapareceu em circunstâncias suspeitas demais para que fossem esquecidas. Mas quando a mulher revela suas verdadeiras intenções, um pesadelo começa.

Remothered: Tormented Fathers (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)Rosemary Reed, protagonista de Remothered, lembra a atriz Jodie Foster em Silêncio dos Inocentes (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)

Rosemary se vê aprisionada dentro da casa e, para sobreviver, precisa usar o que estiver ao seu alcance para fugir do Dr. Felton. A medida que ela desbloqueia novas entradas pela casa, o mistério também se expande em uma trama de terror psicológico, cultos fanáticos e violência.

A protagonista de Remothered não se parece com Clarice Starling (Jodie Foster) por acaso. A trama amarra bem suas referências, de maneira que é possível sentir a nostalgia e, ao mesmo tempo, experimentar algo completamente novo – como no remake de Resident Evil.

Remothered: Tormented Fathers (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)Dr. Felton é o primeiro antagonista de Remothered: Tormented Fathers (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)

O ritmo oscila a todo momento, indo de inquieto para frenético em poucos segundos. Em resumo, o gameplay é uma sucessão de tentativas e erros. Um estilo mais “old school”, como muitos diriam, focado em uma dificuldade mais elevada e, muitas vezes, quase injusta.

Um pesadelo real

A comparação com Clock Tower vem da principal mecânica de Remothered. O jogo é basicamente um pega-pega intenso durante a primeira metade da história. Rosemary precisa subir e descer os andares da mansão furtivamente em busca de itens específicos para completar os quebra-cabeças e desbloquear outras áreas. No entanto, a tarefa deve ser realizada enquanto você foge de um homem de idade, claramente maníaco, e com uma enorme foice em mãos.

Remothered: Tormented Fathers (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)Remothered é um intenso jogo de perseguição em um verdadeiro pesadelo (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)

O cenário inicial já gera um constante pânico e não pela situação em si. Um dos pontos fortes de Remothered é a combinação de elementos tradicionais com um gameplay mais moderno. Temos duas câmeras de ângulo fixo (esquerda e direta) e itens de distração e defesa. Não há armas para serem usadas diretamente, mas os itens são muito mais úteis nessa situação.

Os itens podem ser deixados em corredores ou nas portas. Eles emitem sons que vão atrair os inimigos para um determinado local. Caso você esteja em uma situação de risco, ainda é possível arremessar o objeto diretamente no rosto do Dr. Felton. Isso não causará dano a ele, porém vai fazer com que você ganhe segundos valiosos para encontrar uma rota de fuga.

Remothered: Tormented Fathers (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)Os itens de distração e defesa são maneiras de ganhar alguns segundos para fugir em Remothered: Tormented Fathers (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)

Uma dificuldade brutalmente irritante

Outro ponto de destaque é a a dificuldade brutal. Não é apenas a mecânica de sobrevivência tradicional que faz com que o título seja desafiador. Os antagonistas não estão lá para correr sem rumo, eles são realmente inteligentes e te pegam desprevenido a todo momento. Depois da metade do jogo, fica mais fácil acompanhar a rotina de movimento do Dr. Felton, contudo, inicialmente você sofrerá incontáveis mortes por encontros inesperados.

O que acontece é que, de repente, o personagem foge da sua rotina habitual e se vira para trás, ou decide entrar por uma porta que você esqueceu aberta. Tanto o Dr. Felton como outros inimigos têm grande velocidade e agilidade nos momentos, o que torna ainda mais difícil fugir depois que Rosemary foi avistada. E nem pense em correr, pois ele a ouvirá em qualquer cômodo da casa.

Remothered: Tormented Fathers (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)Rosemary deve manter a calma para não ser pega em Remothered: Tormented Fathers (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)

O título também traz a opção de se esconder embaixo de sofás ou dentro de armários, mas essa tática só funciona quando você já está fora do alcance dos inimigos. Caso o perseguidor tenha suspeitas de que você está por perto, acontece um pequeno mini game para controlar a calma da personagem, que consiste em manter um ponto branco de um círculo. Mas, se o Dr. Felton a viu entrando no armário, não há muito o que fazer. Ele jogará a protagonista para fora.

Não há salvamento automático ou através do menu. Só é possível salvar após a primeira meia hora e em pontos específicos com espelhos. São poucos saves e muito jogo de cintura para não ter que recomeçar uma parte toda de novo. Os espelhos também servem para recuperar a vida da personagem que, diferentemente dos antagonistas, sofre dano.

Remothered: Tormented Fathers (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)Remothered: Tormented Fathers tem poucos saves espalhados pelos cantos da mansão (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)

De certa forma, Remothered é viciante para quem gosta de uma dificuldade semelhante à dos games antigos. O ritmo da perseguição segue uma progressão natural e torna-se menos complicado depois da metade. O problema está no polimento de alguns movimentos que ainda não estão ajustados o suficiente para alguns desafios impostos. Às vezes, depois de empurrar um inimigo, o movimento da personagem para e o ângulo da câmera trava em objetos do cenário, o que atrapalha a visão e causa morte certa. 

Gráficos e trilha sonora

A atmosfera e visual foi outro ponto-chave que despertou o interesse dos fãs em Remothered. Os cenários da mansão têm uma beleza macabra que brinca com cores e luzes para tornar a sua visita ainda mais angustiante. As animações, no entanto, são um pouco robóticas e as vezes destoam do conjunto geral. Talvez seja um estranhamento proposital, já que ao ver as cutscenes você tem a impressão de que está assistindo a uma cena de um jogo de terror mais antigo.

Remothered: Tormented Fathers (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)Os cenários de Remothered: Tormented Fathers conseguem criar uma atmosfera macabra e angustiante (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)

No geral, a direção de arte é impecável, principalmente com os gráficos no Ultra. A trilha sonora é o último ingrediente dessa receita de sucesso e conta com ninguém menos que Nobuko Toda, compositora responsável por várias músicas da série Metal Gear – e, que também participou do projeto de NightCry.

Se o inglês ainda é uma barreira que incomoda em jogos, a boa notícia é que ele está completamente legendado em português. Tanto os menus como os documentos e colecionáveis estão traduzidos. A única crítica relacionada a localização está na parte de revisão do texto. Certas palavras têm letras faltando e algumas fontes, por conterem letras com acento, estão diferentes do original.

Remothered: Tormented Fathers (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)Remothered: Tormented Fathers tem legendas em português, mas peca na revisão (Foto: Reprodução/Tais Carvalho)

Vale a pena?

Seja você um entusiasta dos jogos de terror ou um jogador mais saudosista, Remothered: Tormented Fathers é o começo de uma série que vale a pena acompanhar. A dificuldade pode ser brutalmente irritante em certos momentos – mais por questões de mecânica do que intencional – mas a tentativa de aprimorar o passado no presente é admirável. Entre tantos outros títulos que abusam da primeira pessoa com a desculpa da imersão, Remothered atende as expectativas e nos entrega uma perspectiva diferente, em que o terror não está no sobrenatural, mas, sim, na natureza humana.

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