A história do Spotify e a revolução do streaming na música [vídeo]

Em Tecnologia

A gente vai atender a um pedido bastante frequente aqui do público na série de historia da tecnologia e falar do Spotify. O serviço de streaming é bem recente, mas é absurdamente popular e é muito importante pro consumo de música na internet.

Antes de saber a origem e como ele chegou até os dias de hoje, não se esqueça de se inscrever no canal do TecMundo no YouTube para mais conteúdos como esse. Confira também os episódios anteriores do História da Tecnologia para saber de tudo o que já falamos por aqui.

Nos capítulos anteriores…

O Spotify foi fundado em Rågsved, subúrbio da capital sueca Estocolmo, pelos empresários Daniel Ek e Martin Lorentzon. O ano era 2006, e nesse período a internet de alta velocidade estava começando em várias partes do mundo, além de ser dominada pela música… mas só baixada ilegalmente, em plataformas nada confiáveis ou custando caro demais.

Os fundadores no começo da empresa.

O Napster, que surgiu em 99 e com certeza vai aparecer em mais histórias por aqui, tava morto desde 2002, mas abiu a porteira pra um monte de serviços ilegais de compartilhamento de música. O torrent, especialmente na forma do Pirate Bay, tava cada vez mais popular. E o iTunes já tinha cinco anos de vida, mas era limitado em uso e caro pra quem queria uma coleção de respeito, já que cobra as compras avulsas.

Quase sem querer

O Daniel trabalhava na desenvolvedora de games Stardoll, e o Martin com marketing digital. A dupla se conheceu um ano antes e se reunia no apartamento do Daniel pra bolar um negócio. Ele tinha um Home Theater PC, que é tipo um centro de mídias, e de tanto usarem a máquina eles tiveram a ideia de lançar um serviço de música.

O nome tem uma história curiosa. A dupla tava em quartos separados gritando ideias pra batizar a empresa, e o Daniel entendeu errado que o colega sugeriu Spotify. Ele adorou, e viu que não tinha nada parecido. Meio que com vergonha do processo informal, eles agora dizem que a palavra mistura Spot com Identify.

Mas o lançamento só aconteceu em 7 de outubro de 2008, depois de muitos testes internos.

E ele já começou com um financiamento de 21 milhões de dólares de vários fundos e negociações com gravadoras de peso. Várias delas só toparam porque a própria indústria não tava bem das pernas por causa da pirataria, e um experimento pago e podia ser uma salvação.

No começo, você só podia acessar a versão gratuita por convites, mas a assinatura tava liberada. A ideia era controlar cadastros não por sobrecarga, mas pra criar um clima de antecipação, com as pessoas ansiosas pedindo pros amigos. O Reino Unido foi a primeira região com cadastro gratuito liberado, em 2009, quando surgiu a versão mobile no iOS.

Um empurrãozinho

Em agosto desse ano, ninguém menos que Mark Zuckerberg elogiou o ainda desconhecido serviço com uma mensagem no Facebook. Até rolaram rumores de uma compra que não aconteceu, mas a recomendação de uma pessoa tão influente foi um grande impulso.

Uma captura de tela.

Em 2010, o Spotify chega a 10 milhões de músicas no banco de dados. O número não só é impressionante, mas também indica que o serviço tava chegando perto do grande rival da épioca, o iTunes. O funcionamento é diferente, mas os dois ainda brigariam bastante. Nesse período, o Spotify expandiu pra França, Finlândia, Países Baixos, Noruega, Espanha… e só. Em 2011 é que eles foram pros Estados Unidos, primeiro país fora da Europa. Nesse ano, veio a integração com o Facebook pra que você mostrasse o que tava ouvindo, e o recurso bombou.

E o quadro de diretores ganhou um reforço de peso: Sean Parker, aquele do Napster e do Facebook, interpretado por Justin Timberlake no filme “A Rede Social”. Ele integrou a companhia em 2010 e foi essencial pra internacionalização do serviço, especialmente nos Estados Unidos, e nos acordos com gravadoras. Tudo isso é meio irônico considerando o passado de contribuições com pirataria. Ele só deixou o cargo em 2017.

Mudando uma indústria

Aos poucos, o mundo percebeu a importância desse tipo de serviço pra indústria. Pra você ter uma idiea, em 2 anos segundo estudos locais, a pirataria de músicas na Suécia caiu em 25%.

Em 2012, vieram as aguardadas versões pra navegador e Android. A primeira permitia que você consumisse o conteúdo de qualquer lugar, sem precisar baixar o programa. A outra ajudou a popularizar o Spotify em mais aparelhos. E nesse ano, a versão grátis ganha uma limitação que desagradou. Os usuários que não pagavam só tinham direito a 10 horas de transmissão por mês e repetição máxima de cinco vezes de uma música. Isso durou até 2014, quando a versão gratuita só passou a exibir anúncios, que é como a gente conhece até hoje.

Uma captura de tela.As vantagens atuais de ser assinante.

Falando em gratuito, em 2013 o app pra tablets e smartphones finalmente ganha uma versão completa. Antes, não assinantes só tinham a função Spotify Radio, que não contava com páginas de álbuns e artistas.

E só em 2013 a empresa encerrou a função de você comprar e baixar músicas avulsas. O que dá pra fazer até hoje é baixar as músicas num formato interno e executar elas offline dentro do app. E a escolha foi bem feita, porque esse é o ano de mudança em que a internet passa a parar de baixar músicas e a preferir o streaming.

Uma boa e uma má notícia

No fim de maio de 2014, o Spotify chegava oficialmente ao Brasil, depois de um mês de acessos só por convite. O preço mensal era de 5,99 dólares por mês e o foco foi a briga contra a pirataria, que é uma guerra bem frequente aqui no país.

Mas o ano também teria uma má notícia. A cantora Taylor Swift anunciou que tiraria todas as músicas do catálogo do Spotify em protesto pelo baixo pagamento que era repassado pra cantora, e porque vários fatores, incluindo o streaming, estavam impactando a venda de CDs. O Spotify pediu que ela reconsiderasse, mas não deu certo: ela migrou pro rival Tidal. Em 2017, ela voltou ao serviço com um novo álbum, e depois até lançou um clipe exclusivo pra selar o retorno.

Taylor Swift.

O cantor Prince também chegou a tirar os álbuns do catálogo e eles só voltaram após a morte do artista e por decisão da gravadora. Mas toda essa polêmica não impactou tanto o serviço: ele chegou a 10 milhões de assinantes em 2014, um número ainda mais incrível quando vemos que ele é o dobro em relação a 2012.

Afinal, é justo?

Só que isso levou a todo um debate que dura até hoje sobre se a divisão de direitos é justa ou não. Pra começar, o modelo do Spotify é completamente legalizado, ao contrário de serviços parecidos que morreram com o tempo, como o Grooveshark. De 2006 a 2018, a empresa já repassou 9 bilhões e 760 milhões de dólares em royalties para artistas e gravadoras. Esse é de longe o maior gasto da empresa, e algo que volta e meia deixa as contas dela no vermelho.

Cerca de 70% da renda total vai pros músicos ou empresários, e a divisão dessa fatia depende dos acordos feitos pelos músicos.

E o pagamento é de acordo com a quantidade de vezes que a música é reproduzida, e isso gerou críticas de músicos independentes e de menor expressão. Em maio de 2018, a última ação coletiva sobre licenciamento de músicas no Spotify foi encerrada com a empresa pagando 112 milhões de dólares a um grupo.

Quebrando barreiras

E em 2015, um recorde! Thinking out loud, de Ed Sheeran, é a primeira música com 500 milhões de transmissões. Com o tempo, essa marca ficou fácil de ser batida, como você vai ver daqui a pouquinho. A partir de 2016, o Spotify também coloca o pezinho no terreno dos vídeos. O conteúdo é variado, de programas a clipes e documentários. O primeiro que saiu sobre e na América Latina foi “La Familia, With Marc Anthony & his Father Felipe Muñiz”

Uma captura de tela.

Em 2015, ele começa também a adicionar podcasts. E em janeiro de 2018 isso é ampliado com o Spotlight, uma adição audiovisual que inclui conteúdos extras como fotos e vídeos enquanto você escuta o áudio. A gente ainda precisa tirar um tempinho pra falar do Mighty, um produto não oficial que foi financiado coletivamente e hoje pode ser adquirido online. Ele é tipo um iPod que usa a sua conta do Spotify, e deixou muita gente com o dedo coçando pra comprar.

Um aparelho.

Hoje o Spotify também é bem reconhecido pelo seu algoritmo, que tenta prever o que você mais vai gostar de ouvir. Ele faz isso pela lista Descobertas da Semana, que existe desde 2015 e é atualizada toda segunda feira com base no seu histórico trazendo novas sugestões. E tem ainda as Daily Mixes, de setembro de 2016, que são playlists diárias surreais de tão precisas feitas com base exatamente no seu gosto musical. Aliás, falando em playlist, o TecMundo tem algumas playlists públicas no Spotify, dá uma conferida por lá!

Nas paradas de sucesso

E o Spotify também encheu o carrinho ao longo dos anos. A empresa comprou a empresa de curadoria de música The Echo Nest em 2014, e em 2017 foram quatro grandes compras: o app de recomendação de conteúdo MighTyTV, a startup Sonalytic pra personalização de playlists em 2017, a empresa de blockchain Mediachain, a startup de inteligência artificial Niland e o estúdio online SoundTrap. A mais recente aquisição foi da plataforma Loudr, em 2018.

E 2018 já começou com tudo, com a tão esperada venda de ações da empresa na bolsa de Nova York. Só que a empresa optou por uma forma diferente de negociação, a listagem direta, que não usa um banco como intermediário como na IPO. Deu muito certo, foi recorde na categoria, e a marca passou a valer 30 bilhões de dólares. Atualmente, tudo aponta pro lançamento do primeiro hardware da empresa, que pode ser um alto-falante ou um controlador do Spotify otimizado pra automóveis.

Pessoas na Bolsa de Valores.

No momento da produção desse vídeo, os números do Spotify são bem impressionantes. 75 milhões de assinantes, 170 milhões de usuários ativos incluindo pagos e gratuitos, mais de 35 milhões de músicas, 2 bilhões de playlists criadas e já está disponível em 65 mercados. E ele tem versões pra computadores, dispositivos móveis e até consoles.

Até agora, 11 músicas superaram a barreira de 1 bilhão de reproduções. A líder da lista é “Shape of You”, de Ed Sheeran. Já Camila Cabello é a cantora com single mais executado, no a música “Havana”. E “Beerbongs & bentleys”, de Post Malone, é o álbum com mais transmissões no dia de estreia em todo o mundo, com 47,9 milhões de execuções.

Ed SheeranEd Sheeran.

Em termos de Brasil, Anitta foi a primeira brasileira no top 20 de streamings globais, no finzinho de 2017 com “Vai Malandra”. A música também foi recordista por aqui ao atingir 1 milhão de transmissões em um só dia.

E você duvida que Spotify e seus rivais mudaram o mercado? Em 2015, vendas digitais de música superaram a mídia física pela primeira vez, em um caminho que dificilmente tem volta.

Essa é a história do Spotify, um serviço ainda novinho, mas que já ajudou a mudar a história da música, da internet, e da tecnologia. Se você quiser ver a história de uma empresa, produto ou serviço contada por aqui, é só deixar uma sugestão nos comentários do vídeo. Até a próxima!

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